Rio de Janeiro (RJ) – A Seleção Brasileira começa a ganhar uma nova cara. O técnico Carlo Ancelotti anunciou nesta quarta-feira (9) a convocação de 26 jogadores para os amistosos contra Austrália e Índia, primeiros compromissos do Brasil depois da Copa do Mundo de 2026 e início do novo ciclo visando o Mundial de 2030.
A lista apresenta uma combinação entre jogadores experientes, jovens promessas e atletas em destaque no Campeonato Brasileiro. Dos 26 convocados, dez atuam no futebol nacional e oito ainda não disputaram uma partida pela Seleção principal.
O Brasil enfrentará a Austrália duas vezes: no dia 25 de setembro, em Townsville, e no dia 29, em Brisbane. Depois, a delegação seguirá para a Índia, onde a Amarelinha enfrentará os donos da casa em 3 de outubro, em Calcutá.
Será o primeiro confronto da história entre as seleções principais de Brasil e Índia.
A convocação também marca a retomada do trabalho depois da frustrante participação brasileira na Copa do Mundo de 2026, encerrada com a eliminação diante da Noruega nas oitavas de final.
Agora, Ancelotti deixa claro que pretende utilizar o período até as próximas grandes competições para promover uma renovação gradual da equipe.
“Essa é uma lista equilibrada, com jogadores que estiveram na Copa do Mundo. Vai ser importante para a próxima geração. Temos jovens, que têm qualidade para representar no futuro da Seleção”, afirmou o treinador.

Oito estreantes e dez jogadores do futebol brasileiro
A principal novidade da primeira convocação do novo ciclo está justamente na renovação.
Oito jogadores chamados por Ancelotti ainda não entraram em campo pela Seleção principal: os goleiros Pedro Morisco, do Coritiba, e Otávio, do Cruzeiro; os defensores Arthur Dias, do Athletico-PR, Jair, do Nottingham Forest, Matheuzinho, do Corinthians, e Mauro Júnior, do PSV; e os meio-campistas Breno Bidon, do Corinthians, e Gabriel Bontempo, do Santos.
Outra característica chama atenção: dez dos 26 convocados atuam no futebol brasileiro.
São eles: Hugo Souza, Matheuzinho e Breno Bidon, do Corinthians; Pedro Morisco, do Coritiba; Otávio, do Cruzeiro; Arthur Dias, do Athletico-PR; Danilo Santos, do Botafogo; Gabriel Bontempo, do Santos; além de Pedro e Samuel Lino, do Flamengo.
Ancelotti explicou que a presença significativa de atletas do Brasileirão não representa uma mudança de prioridade da comissão técnica, mas reflete o momento dos jogadores observados.
Segundo o italiano, a comissão acompanha tanto os campeonatos disputados no Brasil quanto as principais ligas europeias. O treinador também destacou que os jogadores do Brasileirão estão em um estágio físico diferente dos atletas que acabaram de iniciar a temporada europeia.
O objetivo maior, porém, é ampliar o número de opções para o futuro.
“Temos que formar um novo grupo de jogadores para a Seleção”, resumiu Ancelotti ao falar sobre o processo de renovação.

Pedro volta e Flamengo tem dois convocados
Líder do Campeonato Brasileiro, o Flamengo colocou dois atacantes na primeira convocação da Seleção depois da Copa: Pedro e Samuel Lino.
Para Pedro, o chamado representa um retorno importante. O centroavante disputou a Copa do Mundo de 2022 e não defendia o Brasil em uma partida desde junho de 2023, contra Senegal.
O atacante chegou a ser convocado em 2024 pelo então técnico Dorival Júnior, mas sofreu uma grave lesão no joelho esquerdo durante um treinamento da Seleção e acabou cortado.
Agora, recuperado e novamente em destaque pelo Flamengo, Pedro ganha uma oportunidade no começo do novo ciclo.
“Muito feliz de retornar à Seleção neste novo ciclo. É gratificante. Agradeço ao Flamengo. Isso é fruto de muito trabalho no dia a dia e nos jogos”, afirmou o atacante à Flamengo TV.
Samuel Lino também retorna à Amarelinha. O atacante havia sido chamado por Ancelotti em 2025 para substituir Matheus Cunha durante uma Data Fifa e chegou a integrar a lista larga para a Copa do Mundo de 2026, mas ficou fora da relação final para o Mundial.

Renovação, mas com experiência
Apesar da forte aposta em caras novas, Ancelotti não abriu mão de jogadores experientes e que já possuem trajetória consolidada com a camisa da Seleção.
Marquinhos, Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães, Raphinha e Vinícius Júnior aparecem como peças importantes na transição entre gerações.
De acordo com Ancelotti, esses atletas terão também a responsabilidade de auxiliar os jogadores mais jovens na adaptação à Seleção.
“Escolhi esses jogadores, Marquinhos, Gabriel, Bruno, Vini, Raphinha para ajudarem nessa mudança de geração”, explicou.
O treinador também deixou claro que a renovação não significa fechar definitivamente as portas para atletas mais experientes que ficaram fora desta convocação.
Segundo Ancelotti, neste momento a prioridade é observar jovens com potencial para disputar as próximas competições, mas o desempenho continuará sendo determinante nas futuras listas.
Ancelotti identifica carência no meio-campo
Além dos nomes escolhidos, a entrevista coletiva de Ancelotti revelou uma questão importante para a construção da Seleção rumo a 2030: o meio-campo.
Na avaliação do treinador, Brasil possui boas opções na defesa e no ataque, mas ainda precisa ampliar as alternativas no setor de criação e organização.
“Nesse momento temos um pouco de carência no meio de campo, isso é óbvio”, reconheceu Ancelotti.
A observação ajuda a explicar as oportunidades dadas a jovens como Breno Bidon e Gabriel Bontempo, além da presença de Andrey Santos, Danilo Santos, Douglas Luiz e Bruno Guimarães.
Ancelotti entende que o modelo de jogo da futura Seleção dependerá diretamente das características dos jogadores que surgirem e se consolidarem durante o ciclo.
Caminho para 2030
O trabalho de renovação não está restrito à Seleção principal. A CBF vem intensificando a integração com as categorias de base para mapear jogadores que possam chegar à equipe principal nos próximos anos.
A comissão de Ancelotti acompanha também atletas das seleções Sub-17 e Sub-20, além de nomes com idade para integrar o próximo ciclo olímpico.
A estratégia tem como primeiro grande objetivo competitivo a Copa América de 2028 e, posteriormente, a Copa do Mundo de 2030.
Ancelotti terá praticamente quatro anos para reconstruir a equipe depois da eliminação precoce no Mundial de 2026.
“Agora temos tempo para fazer as coisas com mais calma, tranquilidade e avaliar bem todos. A ideia é muito clara: colocar uma nova geração de futebolistas”, afirmou.
Confira os 26 convocados
Goleiros:
Hugo Souza (Corinthians), Pedro Morisco (Coritiba) e Otávio (Cruzeiro).
Defensores:
Arthur Dias (Athletico-PR), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Jair (Nottingham Forest), Marquinhos (PSG), Matheuzinho (Corinthians), Mauro Júnior (PSV Eindhoven), Vitor Reis (Manchester City) e Wesley (Roma).
Meio-campistas:
Andrey Santos (Manchester United), Breno Bidon (Corinthians), Bruno Guimarães (Arsenal), Danilo Santos (Botafogo), Douglas Luiz (Juventus) e Gabriel Bontempo (Santos).
Atacantes:
Endrick (Real Madrid), Estêvão (Chelsea), João Pedro (Chelsea), Pedro (Flamengo), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth), Samuel Lino (Flamengo) e Vinícius Júnior (Real Madrid).
Os próximos jogos do Brasil
A primeira partida do novo ciclo será contra a Austrália, no dia 25 de setembro, às 7h (horário de Brasília), no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville.
Brasil e Austrália voltam a se enfrentar no dia 29 de setembro, também às 7h, desta vez no Suncorp Stadium, em Brisbane.
Depois, a delegação brasileira seguirá para Calcutá. No dia 3 de outubro, às 11h (de Brasília), a Seleção enfrentará a Índia no Salt Lake Stadium.
Será um encontro inédito entre as duas seleções principais.
O planejamento para 2026 ainda prevê outros dois amistosos em novembro. O Brasil enfrentará o Japão no dia 14 e Singapura no dia 17, ambos no Estádio Nacional de Singapura.
Conteúdo: Assessoria Emanuel Sports, CBF e agências nacionais
Foto: CBF e assessorias dos clubes